O Charolês, pelas suas qualidades na produção de carne de qualidade, sempre foi destaque mundial neste setor. Américas, Europa, África, Oceania, entre outros, tem a raça Charolesa como destaque quando se fala em carne bovina. No Brasil nunca foi diferente, o que faltava era identificar esta carne para o consumidor. A Associação Brasileira de Criadores de Charolês (ABCC), sempre teve como objetivo criar o Programa de Carne Charolês Certificada. No entanto, apesar do Charolês estar no Brasil desde 1885, somente em 2013 o Projeto CARNE CHAROLÊS CERTIFICADA começou a ganhar forma.

A carne é o produto final dos investimentos em genética e do ambiente (sistema de produção) e é a sua qualidade que irá valorizar os investimentos realizados pela entidade (ABCC) e seus criadores. Foi o Presidente da ABCC, na época, Joaquin Villegas que contratou o engenheiro agrônomo Eldomar Renato Kommers para desenvolver o projeto e buscar sua implementação. Inicialmente, tentaram-se algumas investidas de implantação no Rio Grande do Sul, inclusive com um Projeto Piloto no Frigorífico Silva de Santa Maria/RS, com a atuação da médica veterinária Thais Lavarda por um período de 60 dias (dezembro de 2013 a janeiro de 2014) com o acompanhamento dos abates e simulação da operacionalização do programa, mas infelizmente o projeto não prosseguiu. Em junho de 2014 foi assinado o primeiro contrato com um frigorífico parceiro para o início do projeto, o Frigorífico Verdi de Pouso Redondo/SC. Os abates iniciaram realmente em final de novembro de 2014 (24/11/2014), com o abate de 09 novilhas cruzadas com Charolês e vem seguindo até os dias atuais esta parceria.

A legalização
Por determinação do Ministério da Agricultura (MAPA), em 2015 foi necessário protocolar o programa de Carne Charolês Certificada na Confederação Nacional da Agricultura (CNA), delegada, pelo mesmo, para administrar os programas de carne com relação com as raças bovinas criadas no Brasil. A partir deste protocolo, constituiu-se um Memorial Descritivo do programa, um Manual Operacional (POP), além de outros procedimentos que assegurassem o cumprimento da qualidade e garantias oferecidas no programa, bem como, a assinatura de contratos com as entidades, acerto de repasses de valores e assim, todos os procedimentos exigidos para que o programa de carne Charolês estivesse dentro das especificações legais exigidas pelos órgãos governamentais. A partir deste protocolo ficou definido como primeira estrutura de funcionamento do programa, o criador Dr. Gilmar Kruger como diretor do programa pela diretoria da ABCC, o engenheiro agrônomo Eldomar Renato Kommers como coordenador e responsável técnico e a médica veterinária Caroline Consoni como certificadora autônoma. Os documentos são públicos estão disponíveis no seguinte endereço eletrônico: www.cnabrasil.org.br/frigorificos.

Frigorifico Arvoredo
Em novembro de 2018 o programa iniciou uma fase piloto com o Frigorífico Arvoredo de Xanxerê (SC), buscando ampliar sua atuação e criar uma condição para o oeste de Santa Catarina, tanto para fornecedores como para os consumidores da região. O projeto está em plena evolução e em um processo de estruturação de um modelo de atuação, dentro das garantias oferecidas pelo programa para sua continuidade e evolução.

Concurso de carcaças
No dia 14 de dezembro de 2018 o Programa Carne Charolês Certificada, realizou o primeiro Concurso de Carcaças da raça Charolês no Brasil. O evento ocorreu no Frigorífico Verdi em Pouso Redondo (SC), com destaque tanto pela participação dos criadores, como para o número de animais e a qualidade das carcaças. Ao todo, o evento contou com a presença de dez criadores do estado de Santa Catarina e a presença de 180 animais em lotes de dez a quinze animais/lote.

O Programa Carne Charolês Certificada fechou o seu primeiro ano de atividade certificando 1750 carcaças (2015) e no ano de 2018 chegou a 2750 carcaças.

A Carne Charolês Certificada se caracteriza por uma grande qualidade, a MACIEZ, considerada a principal característica levada em conta pelo consumidor para uma carne de qualidade superior (Premium). A cobertura de gordura adequada é outro fator de grande importância, o que lhe confere um sabor especial. Já o excesso de gordura de cobertura não significa qualidade de carne, por isso o programa Carne Charolês Certificada prioriza a “gordura adequada”. Estas garantias estão descritas no protocolo do programa junto à CNA e podem ser conferidas pelo público no site www.cnabrasil.org.br/frigorificos. Vale destacar que o programa certifica apenas animais com no máximo, 2D (dois dentes). Outra característica da carne Charolês são as peças com grande volume, uma vez que a raça produz carcaças grandes e pesadas.

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Frigoríficos e ABCC
A ABCC faz contratos de parceria com frigoríficos para a produção da Carne Charolês Certificada. Para isso, o frigorífico é vistoriado e tem que ser aprovado pelo programa.

Produtores
Quanto ao produtor, ele pode realizar a negociação diretamente com o frigorífico credenciado, sendo as tratativas comerciais totalmente entre produtor e frigorífico, não havendo necessidade de pagamento de taxas para a ABCC. O produtor deve apenas autorizar seu cadastro junto à CNA, mediante assinatura de termo de concordância ou ele próprio pode realizar seu cadastro via internet. São necessários apenas os dados do seu cadastro junto aos órgãos de defesa sanitária do seu estado.

Estando tudo em condições e de acordo com o Memorial Descritivo, a ABCC disponibiliza um certificador(a) dentro do frigorífico conveniado para selecionar os animais no perfil da raça e acompanhar todo o processo de abate, desossa, embalagem dos cortes e expedição. Todo o processo, a partir disto é acompanhado e anotado em planilhas e relatórios que são disponibilizados à CNA (gestora) e ao produtor, sendo que o certificador é um profissional de nível superior: Medico Veterinário, Zootecnista ou Eng. Agrônomo, sendo sua atividade independente do frigorífico e contratado pelo Programa de Carne Charolês Certificada. Periodicamente são realizadas auditorias, no programa de carne pela CNA, no frigorífico com os certificadores e responsável técnico do programa, visando se fazer cumprir o que está no memorial descritivo e confirmar as garantias oferecidas pelo PROGRAMA CARNE CHAROLÊS CERTIFICADA.

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Santa Catarina: Florianópolis, Joinville, Blumenau, Abelardo Luz, Chapecó e Xanxerê e outas cidades do estado, em casas de carnes e redes de mercados cujos clientes tem o perfil de consumir carne Premium.

Rio Grande do Sul: Somente com pedidos especiais aos frigoríficos e no Restaurante do Charolês na EXPOINTER.

Outros estados: Curitiba no Paraná e mais ao centro do Brasil a carne também está sendo encaminhada e distribuída.

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Nova Tabela de Bonificação dos Frigoríficos

IDADE SEXO PESO DE CARCAÇA TIPO DE ACABAMENTO
DE GORDURA
BONIFICAÇÃO***
DL MI c240 - + 3* ou 4** 4%
DL MC 200 a 239 9 3 ou 4 8%
DL MC 240 - + 3 ou 4 10%
2D MC 220 a 239 9 3 ou 4 6%
2D MC 240 - + 3 ou 4 8%
DL F 180 a 199 9 3 ou 4 4%
DL F 200 a 239 9 3 ou 4 6%
DL F 240 - + 3 ou 4 8%
2D F 200 a 239 9 3 ou 4 4%
2D F 240 - + 3 ou 4 6%

*MI - Machos inteiros, MC - Machos Castrados, F - Fêmeas

Regras
* 3,0 A 6,0 mm de cobertura de gordura na carcaça - Mediana
** 6,0 a 10,0 mm de cobertura de gordura na carcaça - Uniforme
*** sobre o preço de mercado do boi gordo


Obs:
01 - Machos inteiros serão bonificados, apenas DL;
02 - Carcaças destinadas a congelamento ou outro item de condenação, não recebem bonificação.
03 - Desconto de R$=10,00 por cabeça para a Associação Brasileira de Criadores de Charolês.
04 - Eventuais alterações de percentuais de bonificação, da tabela acima, podem ocorrer mediante acordo entre a ABCC e o Estabelecimento Industrial credenciado.